Nintendo Museum em Kyoto — muito mais do que um museu de videogames

Entrada externa do Nintendo Museum em Uji, Kyoto, com canos verdes de Mario e bloco de interrogação. EVENTS
Finalmente no Nintendo Museum, em Uji, Kyoto.

Demorei mais do que gostaria, mas finalmente consegui sentar para contar como foi minha primeira visita ao Nintendo Museum, em Uji, Kyoto.

Fui em novembro de 2024, pouco mais de um mês depois da inauguração. Naquela época tudo ainda tinha aquele clima de novidade, e desde então bastante coisa aconteceu no mundo da Nintendo — inclusive o lançamento do Nintendo Switch 2.

Por isso, alguns detalhes do museu, produtos disponíveis e funcionamento podem estar diferentes hoje. Mesmo assim, queria registrar como foi aquela primeira experiência, principalmente porque saí de lá percebendo que o Nintendo Museum é muito mais interessante do que simplesmente um lugar cheio de videogames antigos.

Informações rápidas para quem pretende visitar

Local: Uji, Kyoto
Horário atual: 10h às 20h
Fechado: normalmente às terças-feiras e no período de Ano Novo
Ingresso adulto: ¥3.300
Ingressos: vendidos antecipadamente; é necessário ter uma Nintendo Account e participar do sistema de reserva
Acesso: cerca de 5 minutos a pé da estação Ogura da Kintetsu ou 8 minutos da estação JR Ogura
Tempo de visita: para fãs da Nintendo, eu reservaria boa parte do dia

Uma mudança importante em relação à minha experiência: na época fomos de carro e utilizamos um dos estacionamentos pagos nos arredores. Atualmente, o próprio Nintendo Museum pede que os visitantes utilizem transporte público e orienta a não chegar ao local de carro, moto, bicicleta ou táxi.

Então vale conferir as informações oficiais antes da visita.

Uma visita que eu queria fazer desde o anúncio

Prédio do Nintendo Museum em Uji visto do lado de fora em novembro de 2024.
Depois de algumas horas de viagem, essa foi a primeira visão do museu.

Assim que anunciaram a abertura do Nintendo Museum, eu sabia que queria conhecer.

Aqui em casa todos somos fãs da Nintendo, e eu cresci jogando seus videogames. Depois de acompanhar tantas gerações de consoles e jogos, poder conhecer um lugar dedicado a essa história era uma experiência que eu realmente não queria deixar passar.

O museu não fica exatamente perto de onde moro, então foram algumas horas de viagem até Uji.

Fui com minha esposa e uma amiga e, depois de toda aquela viagem, a empolgação estava a milhão quando finalmente chegamos.

E a experiência já começa antes mesmo de entrar no prédio.

A entrada já parece parte da atração

O controle de entrada é bastante rigoroso.

A sensação lembra um pouco um aeroporto: somente quem possui ingresso para aquele horário pode entrar, existe conferência dos documentos e também uma checagem de segurança.

Nós havíamos conseguido nossos ingressos com cerca de três meses de antecedência.

Depois da entrada você recebe o chamado Play Ticket, que será utilizado também nas experiências interativas. É possível preparar previamente o ingresso para que ele venha impresso com seu próprio Mii, aquelas caricaturas que usamos nas contas e jogos da Nintendo.

O meu resolveu dar um pequeno problema na impressão naquele dia, mas os staffs foram extremamente prestativos e resolveram tudo rapidamente.

Já do lado de fora existem vários detalhes que fazem você parar para fotografar.

Tem o espaço com os famosos canos e blocos de Mario, perfeito para aquela foto de “finalmente chegamos”. O calçadão também possui vários desenhos inspirados em itens dos jogos, além de outros pequenos detalhes espalhados pelo terreno.

No nosso caso, a vontade de entrar era tanta que provavelmente passamos direto por várias coisas escondidas.

Logo na recepção também encontramos os Toads.

Cinco Toads coloridos na entrada interna do Nintendo Museum.
Os Toads da entrada — e sim, eles cantam quando você toca neles.

E não são simplesmente bonecos decorativos: ao tocar na cabeça deles, eles cantam.

É uma bobagem? Talvez.

Mas tente colocar um fã de Nintendo ali pela primeira vez e pedir para ele não apertar a cabeça do Toad.

Miyamoto na parede e a perigosa loja logo na entrada

Já dentro do prédio principal, cada passo aumenta a empolgação.

Perto da entrada existe uma assinatura de Shigeru Miyamoto na parede, e ali é permitido tirar fotografia.

E quase imediatamente você também avista a loja oficial.

Ela vende roupas, chaveiros, doces, souvenirs e vários produtos relacionados às diferentes gerações da Nintendo.

Quando fomos, alguns dos itens mais disputados eram as almofadas em formato de controles e os chaveiros colecionáveis inspirados em controles antigos, passando pelas diversas gerações até o Nintendo Switch.

Caixas de souvenirs do Nintendo Museum com controles e consoles Nintendo de diferentes gerações.
Alguns dos souvenirs que trouxe da visita, organizados pelas gerações de hardware da Nintendo.

Aqui vai uma dica que aprendi do pior jeito:

se existe algum produto muito popular que você realmente quer, considere comprar logo que entrar.

Nós vimos algumas coisas na primeira passagem pela loja e pensamos: “depois voltamos”.

Voltamos.

E tinham acabado.

Também fiquei bastante surpreso ao encontrar produtos usando o visual e o logo roxo do Super Nintendo americano, além da identidade japonesa do Super Famicom. Na época tive a impressão de que alguns daqueles produtos eram exclusivos do museu — e realmente existem produtos vendidos apenas ali — mas eu não contaria com encontrar sempre exatamente os mesmos itens, porque estoque e catálogo mudam.

O museu possui lockers gratuitos próximos à entrada, então existe ainda a possibilidade de guardar bolsas e compras grandes em vez de carregar tudo durante o passeio.

Antes dos videogames existia outra Nintendo

Maquete detalhada do complexo do Nintendo Museum com bloco de interrogação no topo.
Até a maquete do complexo tem aquele toque Nintendo.

Depois dessa parte inicial, seguimos para a exposição histórica.

Antes de subir, há orientações sobre as regras do museu. Uma das mais importantes é que não é permitido fotografar a área principal da exposição histórica.

O caminho até ela já é muito legal.

Em uma das paredes aparecem silhuetas dos consoles lançados pela Nintendo ao longo das gerações. Em determinados momentos, eles se iluminam e reproduzem aqueles sons clássicos de inicialização.

E aí começa uma brincadeira automática para quem cresceu jogando:

“Esse eu lembro!”

“Esse também!”

“Qual console era esse mesmo?”

Só aqueles sons já trazem muita memória de volta.

Quando finalmente chegamos às vitrines, porém, aconteceu algo que eu não esperava.

A parte que mais me interessou não foi necessariamente a dos videogames.

Foi perceber o tamanho da história da Nintendo antes deles.

De cartas a brinquedos, eletrônicos e videogames

Exposição com cartas e produtos históricos da Nintendo dentro do Nintendo Museum.
Uma das coisas que mais me surpreendeu foi descobrir quanto existia de Nintendo antes dos videogames.

Nas vitrines aparecem produtos de diferentes períodos da empresa.

Hanafuda, brinquedos, experiências com produtos eletrônicos e várias ideias que mostram como a Nintendo foi mudando ao longo das décadas até finalmente chegar aos videogames.

Para mim, isso demonstra uma característica interessante da empresa: ela passou boa parte da história experimentando e buscando novas formas de entretenimento.

Você começa vendo cartas e brinquedos e, conforme avança pela exposição, chega aos consoles que conhece.

É quase como acompanhar uma linha evolutiva da Nintendo.

E quando finalmente cheguei à geração do Super Famicom, bateu aquela nostalgia forte.

Ali estavam jogos, acessórios e produtos de uma época que eu realmente vivi.

Não era apenas olhar para um console antigo dentro de uma vitrine. Era olhar para algo e imediatamente lembrar de quando aqueles jogos faziam parte do meu dia a dia.

O interior dos consoles foi uma das minhas partes favoritas

Outro detalhe que adorei foi poder observar o interior de alguns consoles.

Partes abertas mostram componentes e detalhes de fabricação que normalmente nunca vemos.

Também existem informações sobre cada geração, diferenças entre regiões e vários pequenos detalhes técnicos.

Pode parecer algo simples perto das grandes atrações interativas, mas sinceramente foi uma das coisas que mais gostei no museu.

Outro detalhe curioso são algumas telas que ficam reproduzindo jogos perto das vitrines.

O sistema de áudio é extremamente direcionado.

Quando você para exatamente em frente à tela, consegue ouvir o som daquele jogo. Basta sair daquela posição e o áudio praticamente desaparece — e você também não fica ouvindo o som das telas ao lado.

Isso permite ter várias demonstrações funcionando próximas umas das outras sem transformar a exposição numa mistura gigantesca de sons.

Finalmente usei a Super Scope… e descobri que não sei mirar

Visitantes usando Zapper e Super Scope na atração de tiro do Nintendo Museum.
Zapper & Scope SP: finalmente pude experimentar a Super Scope que queria desde criança.

Depois da exposição histórica, chegou a hora das experiências interativas.

Cada visitante recebe 10 moedas digitais no Play Ticket. Cada atração consome uma quantidade diferente e não dá para fazer absolutamente tudo com apenas dez moedas, então é bom escolher.

Nossa primeira escolha foi uma das principais atrações do museu: Zapper & Scope SP.

Você entra em uma área com um telão gigante no universo de Mario e precisa acertar os inimigos que aparecem.

Existem duas opções: a pistola Zapper ou a famosa Super Scope.

Quando eu era criança, sempre quis ter a Super Scope.

Via aquela bazooka enorme em revistas e vídeos, mas nunca tive uma. Então, décadas depois, finalmente consegui segurar uma no Nintendo Museum.

Óbvio que escolhi a Super Scope.

E descobri que sou péssimo com ela.

(Risos.)

Eu precisava olhar por aquela mira minúscula e achei muito difícil acertar os alvos. A vantagem é que o disparo cobre uma área maior, mas ainda assim apanhei bastante para usar.

Curiosamente, a própria Nintendo apresenta a Super Scope como a opção mais fácil de mirar.

Comigo não funcionou.

Talvez o problema realmente estivesse atrás da bazooka.

Mesmo assim, foi extremamente divertido. Só o fato de finalmente experimentar algo que eu queria desde criança já valeu a brincadeira.

E no final nossa amiga ainda ficou em primeiro lugar.

Controles gigantes: cooperação ou caos absoluto?

Controle gigante do Super Famicom usado na atração Big Controller do Nintendo Museum.
Big Controller do Super Famicom. Fácil entender por que são necessárias duas pessoas.

Depois fomos para Big Controller.

A ideia é maravilhosa: pegar controles clássicos da Nintendo e transformá-los em versões gigantes que precisam ser operadas por duas pessoas.

Jogamos com o controle do Super Famicom e também experimentamos o do Wii.

Na teoria é simples.

Uma pessoa cuida de alguns botões, a outra de outros, vocês conversam e completam a fase juntos.

Na prática?

Gritaria.

“APERTE!”

“QUAL BOTÃO?”

“AGORA!”

“EU APERTEI!”

E risadas.

Muitas risadas.

No Super Famicom chegamos muito perto de completar a fase, mesmo com toda a bagunça. O tamanho do controle e a pequena sensação de atraso na resposta deixam tudo ainda mais engraçado.

Já a experiência com o controle gigante do Wii exige até carregar aquele negócio em dupla.

É exatamente o tipo de atração que fica muito melhor quando você visita o museu com outras pessoas.

Brinquedos antigos transformados em atrações modernas

Outra coisa que achei muito interessante é que a área interativa não gira apenas em torno de videogames.

A Nintendo transformou alguns de seus brinquedos antigos em experiências modernas.

Uma delas é a Ultra Machine SP, baseada na Ultra Machine lançada originalmente em 1968.

É praticamente um batting center em miniatura.

Você entra numa sala e tenta rebater as bolas lançadas pela máquina, incluindo diferentes tipos de arremesso.

Também experimentamos a Ultra Hand SP, baseada naquele famoso brinquedo de braço extensível da Nintendo.

Você usa a mão mecânica para pegar bolas e colocá-las nos locais corretos. Dependendo do que consegue fazer, diferentes efeitos aparecem.

Na nossa visita havia elementos visuais que tornavam tudo ainda mais divertido, incluindo fogos e aparições relacionadas a Pokémon.

É muito legal perceber que aquelas atrações modernas têm origem em produtos que a Nintendo vendia décadas antes de Mario existir.

Game & Watch com o próprio corpo

Pessoa utilizando a própria sombra para jogar Game & Watch SP no Nintendo Museum.
Na Game & Watch SP, seu próprio corpo vira parte do jogo — parece fácil até chegar sua vez.

Também brincamos na Game & Watch SP.

Nela, sua própria sombra vira parte do jogo.

Você precisa posicionar o corpo nos lugares corretos para executar as ações de clássicos como Ball e Manhole.

Olhando alguém jogar parece fácil.

Quando chega sua vez…

Não é.

É bem mais desafiador do que parece, principalmente porque exige posicionamento e timing.

E justamente por isso é muito divertido.

Os workshops ficaram para a próxima

Uma coisa que infelizmente não conseguimos fazer foram os workshops.

Atualmente existem duas experiências principais relacionadas às origens da Nintendo:

Let’s Make Hanafuda! — você monta quatro cartas de Hanafuda usando um kit especial.

Try Playing Hanafuda! — uma experiência guiada para aprender uma versão simplificada do jogo.

Elas possuem reserva separada no próprio dia e pagamento adicional.

Na nossa visita ainda havia horários disponíveis, mas acabamos gastando tanto tempo nas outras partes que deixamos passar.

Isso já entrou oficialmente na lista da próxima visita.

O café foi bom, mas eu esperava algo mais temático

Depois de praticamente esgotar nossas energias, fomos comer no café.

Sinceramente, eu esperava algo mais temático, parecido com os restaurantes que encontramos em parques como a USJ.

Minha impressão foi muito mais de um café/fast-food.

Cada um pegou um lanche e uma bebida e fomos para a área das mesas. Não lembro exatamente o que pedi naquele dia, mas lembro que estava gostoso e foi bastante satisfatório depois de tantas horas andando.

O preço me pareceu um pouco acima do normal, mas ainda achei que valeu a experiência.

Um detalhe bonito do espaço era um grande vitral de The Legend of Zelda.

Vitral de The Legend of Zelda com Link e Zelda na área do café do Nintendo Museum.
O vitral de The Legend of Zelda foi um dos detalhes mais bonitos da área do café.

Hoje o café, chamado Hatena Burger, apresenta um cardápio maior com hambúrgueres personalizáveis, bebidas especiais, doces e outras opções. Então essa é uma das partes em que vale olhar o menu atual antes de ir.

Sete horas e eu ainda queria ficar mais

Entramos aproximadamente às 11h.

Quando finalmente fomos embora, já eram quase 18h, próximo do horário de fechamento que vigorava naquela época.

Foram cerca de sete horas dentro do Nintendo Museum.

E eu teria ficado mais.

Conseguimos conhecer praticamente tudo que queríamos naquela visita, mas o tempo passa muito rápido quando você começa a observar as vitrines, brincar nas atrações, entrar na loja, comer e voltar para conferir detalhes que deixou passar.

Hoje o museu fecha às 20h, o que ajuda bastante.

Mesmo assim, para quem realmente gosta de Nintendo, eu não faria planos apertados para o mesmo dia.

O que realmente fez a visita valer a pena

Curiosamente, olhando para trás, minhas melhores lembranças não são necessariamente das atrações.

Claro que brincar com a Super Scope, usar os controles gigantes e ver todo mundo gritando e rindo foi fantástico.

Mas o que realmente ficou comigo foi ver a evolução da Nintendo.

Começar pelas cartas.

Passar pelos brinquedos.

Ver as tentativas e ideias de diferentes épocas.

Chegar aos videogames.

Depois olhar para dentro daqueles consoles e entender um pouco mais de como eram construídos.

Esses pequenos detalhes foram o que mais fizeram a visita valer a pena para mim.

O museu conseguiu transformar coisas que fizeram parte da minha infância em história.

Para quem eu recomendo o Nintendo Museum?

Principalmente para fãs de videogames.

Não é necessário conhecer profundamente a história da Nintendo para se divertir, mas quem cresceu com algum console da empresa provavelmente vai encontrar vários momentos de nostalgia.

Também acho um ótimo passeio para famílias.

Os pais podem reconhecer os consoles e jogos de suas gerações, enquanto as crianças encontram personagens e franquias que continuam acompanhando hoje.

Para turistas que estiverem visitando Kyoto também pode ser um passeio muito interessante, mas existe um detalhe importante:

planeje com antecedência.

O Nintendo Museum não é o tipo de atração em que você simplesmente chega na porta e compra um ingresso.

Como eu faria numa segunda visita

Agora que já conheço o museu, mudaria completamente a ordem da visita.

Primeiro, antes mesmo de ir, pesquisaria os produtos atuais da loja.

Ao entrar, compraria imediatamente qualquer item popular que realmente quisesse. Depois colocaria as compras e bagagens nos lockers para não ficar carregando tudo.

Armários para visitantes do Nintendo Museum decorados como cartuchos de Game Boy.
Até os lockers entram no clima: eles são inspirados no Game Boy.

Em seguida iria direto para a área interativa.

Gastaria os dez créditos nas atrações que tivesse escolhido previamente, sem deixar isso para depois.

Depois faria um dos workshops de Hanafuda.

E finalmente deixaria a exposição histórica para a última parte do passeio.

Sem pressa.

Passando pelas vitrines, olhando os pequenos detalhes, lembrando dos jogos e aproveitando o restante do tempo até o fechamento.

Porque foi justamente ali que percebi uma coisa:

Eu fui ao Nintendo Museum querendo rever videogames da minha infância.

Mas saí de lá muito mais impressionado por descobrir como uma empresa que começou fazendo cartas conseguiu continuar mudando, experimentando e criando novas formas de brincar por tantas gerações.

E talvez seja exatamente isso que faça o Nintendo Museum ser muito mais do que simplesmente um museu de videogames.

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